Por: Dr Krikri
Data de Publicação: 17 de outubro de 2005
Pulei o Marafolia feito louco. Pulei de agonia. O axé no meio da veia.
Pelo que pude acompanhar, foi adrenalina pura. Catiripapos pra tudo quanto é lado. Essa gurizada não está pra brincadeira. Excesso de cerveja e de loló, desculpe, lança-perfume dá nisso.
A rapaziada branca vestiu o abadá como se veste uma armadura. E a
rapaziada escura mascou pipoca. Como sempre. Aliás, o Marafolia poderia
ser um medidor da segregação social e racial. Evento tarimbado e dos bons, parece que agora sucumbe pela arrogância, mesma síndrome que atacou os neo-petistas.
O Maranhão é um estudo sociológico. Meia dúzia continuam no topo como no século 19 e o resto carrega a liteira. E quem não carrega, fica abanando.
O que tem de gente abanando com folha de babaçu não está escrito. Vivemos como na escravatu ra, onde a vassalagem intermediária agarra-se às tetascomo menino passa-fome.
A vantagem é que o Maranhão nestes tempos tem dois reinos. A criatura
inferniza o criador com o espeto do dinheiro da viúva. Passa-se a ponte do
São Francisco e vamos nos encastelar nos Leões. Dá-se meia volta e estamos no prédio do Sistema que, na falta de um símbolo maior, é o forte da burguesia que manda há um bocado de tempo.
De qualquer modo, a plebe rude está lascada. Vivemos num estado atrasado economicamente e nas idéias. Comentei com um amigo que a briosa corporação azul estava montando barreiras em tudo quanto é avenida de São Luís. De imediato me corrigiu. Disse que não eram barreiras, mas pedágios.
Bingo!! Simbolismo mais que perfeito da desorganização do Estado e da
roubalheira encravada na alma dos feitores. As castas que separam vassalos e nobres criou um típico processo de vantagem, a Lei do Gérson.
E essa criatura que mora na alma da terra dos atabaques, aflorou a máxima do pão e circo. O Marafolia é o circo que entorpece. E nesse frenesi, surgiu a arrogância. Mas para isso tem remédio. Basta um pouco mais de circo. E viva o Maranhão!