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Medo de morcego? Não! Medo da ignorância dos homens

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Data de Publicação: 1 de novembro de 2005
Iup!!! Estou de volta, nas asas de um morcego hematófago vampiro sedento de sangue. Poético, não? Bem, no nosso encontro semanal não poderia deixar de dar o meu pitaco nessa história de morcegos atacando Deus e o mundo, ou melhor, somente o mundo, na região do Gurupi. Até o dia do fechamento desta coluna, terça-feira, 16 pessoas haviam morrido em Turiaçu. E ninguém quer assumir a culpa por esse verdadeiro genocídio.

Gente, fiz um levantamento com Ministério da Saúde nesta semana e descobri que, nos últimos dois anos, ataques de morcegos mataram somente no Pará, 36 pessoas. Este ano no Maranhão são 23. Pelo amor dos meus porretes, será que ninguém teve coragem de ver a situação do vizinho e tomar uma providência cabível?

Bem, pelos menos poucos conhecimentos em morcegos, uma coisa é certa. Neste caso, não adianta reclamar do leite derramado. O estrago já foi feito, infelizmente. Mas gente, muitos devem estar pensando... O que realmente aconteceu? Vamos aos fatos.

A raiva humana, como qualquer doença provocada por vírus, possui o que se chama de período de encubação. A Aids, por exemplo. Você só consegue diagnosticá-la após um período em que o vírus HIV já está no seu corpo, com a raiva acontece praticamente a mesma coisa, entretanto, em uma velocidade bem maior.

O que aconteceu em Turiaçu basicamente? No dia 29 de agosto houve uma queima de um transformador de energia no povoado de Antônio Dino, onde ocorreu boa parte das mortes. Até aquele momento, ninguém moveu uma palha, mesmo sabendo que na região há morcegos e que já tinham acontecido mortes em municípios próximos como Godofredo Viana, Carutapera e Candido Mendes. Pois bem, foram necessários 45 dias para a recuperação do bendito transformador. Aí, já viu não é? Morcego adora escuridão. Morcego adora região pobre, caso de Antônio Dino. Morcego adora criancinhas, e lá não falta. Qual foi o resultado? Todos já sabem.

E agora, me vem Secretaria de Saúde de Turiaçu, do Governo do Estado, da casa da dona Cocota, todos tentando achar solução para o problema. Gente... Solução não há mais. O surto pode ser apenas controlado, não resolvido, e que isso fique de lição para que a raiva não se espalhe para o resto do Estado.

Já há indícios de ataques até em Cururupu, e teoricamente, a doença poderá chegar até a Raposa. Deus queira que a Secretaria de Saúde do Estado tome providências urgentes. Caso contrário, podem começar a rezar, pois não será difícil ver um morceguinho, pegando sol, em plena praia do Araçagy. Iup!!!

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