Por: Dr Krikri
Data de Publicação: 3 de novembro de 2005
Deu a louca no Parlamento. A última foi a promessa de tabefes. Tabefes é o que se dava na gurizada na minha terra. “Um tabefe”, diziam os avós, “e esse moleque se assenta”.
Arthur Virgílio, o senador que parece um camarão, prometeu não uns tabefes, mas uma surra no Lula. Na mesma linha sobe no palanque da Câmara o grampinho para fazer coro ao camarão. Este neto de baiano especialista em chafurdagem não deve ter medido o seu tamanho.
Mas tamanho não é documento. É a boca grande que conta. E da boca vamos para a garganta. A alagoana que arrebenta com nossos tímpanos também quer bater no Lula. É o terceiro parlamentar na fila. Desse jeito, vamos ter que fazer como se fazia nos campinhos sem grama. O risco no chão era o limite entre o xingamento e os tabefes.
Definitivamente nossos representantes estão perdendo a compostura. Num momento tão difícil, não encontramos viva alma com um discurso conciliador. Do outro lado do Congresso, a turma também não faz por menos.
Mesmo abaixo de taca mantém a arrogância do José Dirceu. Esse parlamentar em vias de virar um Danton da Revolução Francesa fez escola. Aliás, toda a cultura petista é arrogante. Tente conversar com um desses de estrelinha no peito e entenderá o que estou falando.
Do outro lado do balcão, extremistas de direita que se fazem de centro. Estamos caindo pela tabela e não encontramos vozes conciliadoras. A crise virou um dramalhão mexicano. É uma novela que bate na casa dos nove meses.
O medo agora é que essa crise acabe dando cria. O filhote disso tudo será um nó que será difícil de desatar. A sujeira se esparrama e daqui a pouco, definitivamente, teremos vergonha de alguma decência.
Nossos ouvidos estão virando pinico. Faustão vai acabar virando o melhor da semana. Vou torcer para chegar domingo. Melhor seria a Globo botar o gordo para falar besteiras todo santo dia. Poderíamos escolher entre os tabefes e a baixaria.