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Comércio está de olho no 13° salário

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Por: Agências
Data de Publicação: 3 de novembro de 2005
Novembro é um dos meses mais esperados pelos trabalhadores - e pelo comércio também. Milhões de brasileiros vão receber a primeira parcela do décimo-terceiro salário. Até o fim do ano, mais de R$ 40 bilhões devem ser injetados na economia.

O brasileiro quer consumir, mas deve mesmo é se livrar das dívidas antes. O problema é que ele pode se livrar de dívidas antigas para fazer outras novas. Segundo os analistas, pelo menos metade do dinheiro do décimo-terceiro vai para os credores. Outra parte deve ser reservada para gastos com a ceia de Natal.

Mesmo assim, os comerciantes apostam no impulso consumista dos brasileiros e esperam vendas de 10% a 15% maiores do que no ano passado.

O Natal se aproxima e o entusiasmo do consumidor aumenta. “Comprar uma roupa bonita, um sapato verde e rosa, as cores que ainda vão entrar. Eu vou investir nisso”, diz uma paulistana. “Presentes para a família, lembranças, um presente para as crianças”, acrescenta uma senhora.

É essa sede de consumo que dá esperanças ao gerente da loja de eletroeletrônicos Boanerges Domingues. “As vendas vão aumentar em torno de uns 15%. A gente está apostando nisso, ainda mais no nosso segmento, pela troca de televisão de tubo para plasma e cristal líquido”, aponta.

Os corredores dos shoppings já estão lotados de consumidores que olham, olham, mas nem sempre compram. “Lojista e comércio sempre querem mais. A nossa expectativa é de 10% em relação ao Natal do ano passado”, afirma a gerente da loja Maria de Fátima Caetano.

Os trabalhadores estão contando os dias para receber o décimo-terceiro salário. Com ele, vão entrar em circulação mais de R$ 40 bilhões. Os lojistas estão ansiosos para conquistar parte desse dinheiro, mas vão disputar espaço com os credores.

“Boa parte desse dinheiro vai, como já vem há muitos anos acontecendo, para pagamento das dívidas, em decorrência do próprio alongamento dos prazos que o varejo tem oferecido, no sentido de manter um pouco o nível de atividade econômica. As pessoas mais endividadas vão canalizar esses recursos para o pagamento dessas dívidas”, explica Cláudio Felisoni de Ângelo, professor de economia da USP.

O que sobrar deve dar mais sabor à ceia. Os presentes, mais uma vez, prometem ser aquelas famosas lembrançinhas. É assim que vai ser o Natal da vendedora Maria Cremilda. Ela até espera uma comissão mais gorda no fim do ano. Mas adivinhe como ela vai usar o décimo-terceiro?

“Vou pagar as dívidas. Não vou comprar nada. Só lembrançinha para quem for muito especial, como o meu filho”, afirma.

Segundo as empresas de certificados e registros, o índice de inadimplência em 2005 cresceu 14% em relação ao ano passado. Os cheques pré-datados foram os principais responsáveis por deixar muita gente no vermelho. Em segundo lugar, aparecem as empresas de cartão de crédito e as financeiras. Não resta dúvida: o brasileiro gosta de gastar, mas não consegue planejar muito bem esses gastos.

 

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