Por: Fabrício Férreir
Data de Publicação: 25 de julho de 2005
Lágrimas, medo, risos, felicidade, dúvidas acerca do futuro. Todo nascimento desperta nos humanos grandes profusões sentimentais. Não que isto seja ruim, pelo contrário, sentir sempre acende a esperança dos corações mais enrijecidos, dos corações esquecidos de sentir a vida em sua dimensão mais sublime: a magia de viver bem além de simplesmente existir.
Boa parte de nossa existência é dedicada à tarefa árdua da defesa. Defendemo-nos do sofrimento, de correr riscos, das mudanças, dos amores impossíveis, de vestirmo-nos conforme nosso desejo, de dizermos o que de fato sentimos. Evitamos nos ralar, de sentir a aspereza, de permitir que o pranto jorre, de que escorra por nossa alma e até da felicidade nos atrevemos temer (não raro encontramos quem diga “que muito riso é mãe de choro”), enfim, o medo nos tem sido companhia constante.
Com todo esse aparato bélico do sentimento, acabamos por deixar de ver a face mais bela de nossos dias: o sentir. Dificilmente deixaremos de recordar de nossos beijos atrapalhados, da “cola” no dia daquela prova que deixamos de estudar para ir à praia, dos apelidos que pusemos em amigos e professores, das pequenas mentiras ditas aos pais, da campainha do vizinho que sofreu de tanto ser tocada travessamente, das lambidas ávidas no fundo do copo do iogurte, das manhãs intermináveis vendo Caverna do Dragão etc., muitas são as coisas a recordar.
Mas é do esquecimento de que estamos falando. Do esquecimento de dizer “Te Amo” verdadeiramente, de beijar os pais, de agradecer a um irmão, de pedir desculpa, de dizer bom dia, de rir por nada ou de rir por tudo, de chorar por uma cena de filme que emocione, de dizer para a vida o quão feliz nos sentimos por termos recebido esse dom, de quem quer que seja que a gente acredite ter recebido. Esta coluna nasce sem se privar de sentir, de viver cada momento com a intensidade de um beijo, de estar com você naquele momento que você não precisa mais do que uma companhia, de poder dizer ao mundo através do comportamento e sentimentos humanos que nascemos para viver de fato e que nossa grande missão é tornamo-nos gente de verdade. Gente com G de Galeria Jovem. Sejam bem-vindos ao mundo de quem sente de verdade!
Fabrício Férreir.
Educador, pesquisador e psicopedagogo.