Por: ASCOM
Data de Publicação: 25 de julho de 2006
Fracassos públicos na educação – como reprovação em massa em exames de ordem, o Brasil como um dos países que menos lê no mundo – e outras queixas que aparecem na privacidade das clínicas mostram que algo não vai bem na educação contemporânea. Para debater a questão a clínica interdisciplinar Centro da Infância e Adolescência Maud Mannoni (CIAMM) e Corpo Freudiano de São Luís, realizam o I Seminário de Psicanálise e Educação, de 26 a 29 de julho, no Iesma, atrás do Seminário Santo Antônio, no centro da cidade.
Com o tema “A crise atual da educação e a psicanálise”, o evento traz à cidade o renomado psicanalista e professor doutor da Universidade de São Paulo (USP), Rinaldo Voltolini, que pesquisa temas no campo das relações entre a psicanálise, a educação e a política. Autor de livros que discutem a questão, Rinaldo vem a São Luís depois de representar o Brasil em conferência mundial sobre o assunto, realizada em Paris. Sugere ele que, na verdade, a educação está sempre sendo questionada. “De um certo modo, crise da educação é própria do conflito geracional. Cada geração sente necessidade de passar a limpo a educação recebida e é esta uma tensão constante que não cessa de deixar suas marcas também na reflexão científica sobre o assunto”, explica.
Se antes as reclamações de educadores e pais eram sobre limites excessivos e autoritários que perturbavam a tranqüilidade necessária ao aprendizado, hoje as queixas repousam no eixo oposto. Falta de limites, liberdade excessiva, desordem e falta de autoridade atormentam pais e professores no trato com crianças e adolescentes. “Podemos ver claramente que há um mal-estar permanente que se reflete nas queixas de educadores e estudantes. Os professores se sentem reféns dos alunos e estes acham tudo muito chato. Todos estão desestimulados, há uma apatia grande, uma falta de desejo de aprender preocupante”, comenta William Amorim, diretor do CIAMM e do Corpo Freudiano de São Luís.
Dizer que a educação está em crise, no entanto, não significa que isso é bom ou ruim. A diferença está na forma como a sociedade irá lidar com o problema. Evitar as respostas de sempre e discutir as questões propostas pela contemporaneidade parece um bom caminho. “Por isso pensamos no seminário. Há um sofrimento e uma angústia tanto no discurso dos professores quanto dos alunos. É urgente discutir essas questões”, lembra William.
Esta é a primeira vez que Rinaldo Voltolini vem a São Luís. O seminário, com carga horária de 16 horas, ministrado por ele, servirá para debater com pais e educadores questões que inquietam quem pensa ou vive a educação cotidianamente. A volta à cidade, no entanto, já está programada. Em outubro, Voltolini retorna para a III Jornada do CIAMM, quando se reunirá novamente com educadores para discutir os desafios atuais da educação, como inclusão, indisciplina e fracasso escolar.
O CIAMM, uma clínica interdisciplinar pensada para ser um lugar para, além do atendimento clínico, se viver também a pesquisa, funciona há três anos. Com uma equipe que reúne psicanalistas, psicólogos, fonoaudiólogos, psiquiatras e psicopedagogos, atende pais, crianças e bebês em sofrimento, articulando sempre saúde e educação.