Por: Folha On Line
Data de Publicação: 28 de novembro de 2007

Pouco mais de 15 quilômetros vão separar o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a jornalista Mônica Veloso na próxima terça-feira. No dia em que o senador será julgado pelo plenário da Casa, a jornalista vai lançar seu livro --"O Poder que Seduz"--, em uma livraria no extremo sul de Brasília.
A jornalista foi responsável pelo primeiro processo contra o parlamentar, em que foi absolvido pelo plenário. Renan foi acusado por Mônica Veloso de usar recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista, com quem teve uma filha fora do casamento.
Na terça-feira, os senadores vão votar o processo de cassação de Renan aprovado pelo Conselho de Ética da Casa. O relator do processo, senador Jefferson Péres (PDT-AM), defende que Renan seja punido sob a suspeita de ter utilizado "laranjas" para comprar empresas de comunicação no interior de Alagoas.
Apesar de estar afastado da presidência da Casa, Renan participa das sessões plenárias e de reuniões da bancada do PMDB --mas evita fazer discursos, ou mesmo conceder entrevistas, para não voltar à cena política.
O máximo que costuma repetir é a frase que virou uma espécie de "mantra" desde o surgimento das primeiras acusações. "Sempre estive tranqüilo."
Nos bastidores, porém, Renan dispara telefonemas aos parlamentares na tentativa de salvar o mandato. E não descarta renunciar em definitivo à presidência do Senado como estratégia para evitar a cassação.
Interlocutores de Renan afirmam que ele vai manter o mesmo comportamento discreto até o momento da votação para evitar qualquer situação que possa ameaçar uma "reviravolta" na sua esperada absolvição.