Por: O Imparcial
Data de Publicação: 18 de abril de 2007
A comissão que investiga a morte do prefeito de Presidente Vargas (a 174 km de São Luís), Raimundo Bartolomeu Aguiar, o Bertim, está trabalhando com quatro possíveis mandantes do crime de encomenda. O prazo de conclusão do inquérito termina no próximo dia 5, mas se até lá a comissão não tiver concluído as investigações o nome do mandante poderá ser apresentado nos autos apartados do inquérito.
“Temos 20 dias para concluir o inquérito, sem mais prazo. Se não chegarmos até o nome do mandante nesse prazo o nome será dado nos autos apartados. Já temos um elo que pode chegar ao nome do mandante. Trabalhamos com quatro células”, disse o delegado Solón Pinheiro, da comissão investigadora. Segundo ele, os quatro podem até ter agido em associação.
Ainda de acordo com informações dele há possibilidade de um quarto elemento ter participado da execução. Ele seria o motorista do automóvel que transportava os executores do crime.
“De acordo com as investigações o primeiro elemento saiu com o carro, ao lado e depois fechou o carro do prefeito. Em seguida saíram os outros dois. O carro do prefeito foi deslocado para o outro lado da pista e para isso acontecer deveria haver um outro elemento dirigindo o carro dos executores que estava na frente do carro do prefeito”, explicou o delegado Jefferson Portela.
TRAPALHADA
Segundo informações do delegado Solón Pinheiro, algumas trapalhadas dos executores do prefeito estão dificultando a conclusão do inquérito. “Se esse crime fosse cometido por profissionais seria mais fácil de resolver. Eles cometeram muitas trapalhadas, como as algemas que foram encontradas no braço do prefeito”, comentou.
Um outro equívoco apontado pelo delegado seria em relação à quantidade de balas utilizadas no crime. Foram dois tiros na cabeça do prefeito, o que seria um desperdício de munição na análise da comissão, pois apenas um seria o suficiente. Da mesma forma foram os dois tiros na porta do automóvel do prefeito.
O que possivelmente eles não esperavam era a reação do secretário de Esportes, Pedro Pote, que foi alvejado com um tiro na região lombar, acabando assim com a munição disponível para o “trabalho”.
Uma outra questão levantada sobre a comissão de investigação e que parece sem sentido no episódio é a utilização da algema para prender o prefeito que já estaria morto a Pedro Pote, pelo braço.
IRRESPONSABILIDADE
O delegado-geral de Polícia, Jefferson Portela, classificou como irresponsável a informação da participação de uma mulher como isca, provocando a parada do automóvel no meio da estrada para facilitação da ação dos criminosos.
A “hipótese” foi reforçada pela presença de um par de sandálias e um boné femininos na cena do crime.
Portela disse ter sido descartada desde o início pelo fato de a família ter reclamado os pertences como sendo da mãe (sandálias) e da sobrinha da vítima (boné).
“Essas informações são 100% improcedentes. A investigação não desconsideraria uma situação dessas que foi uma das primeiras a serem descartadas porque a família imediatamente explicou. Essa hipótese é descabida e eu deveria ter sido procurado para confirmar a informação”, disse Portela.