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Lula: ligação de Renan com lobista será investigada

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Por: Agência Brasil
Data de Publicação: 28 de maio de 2007
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, no programa semanal de rádio Café com o Presidente, que as acusações de envolvimento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com um lobista serão investigadas. Ao ser questionado sobre as ações da Polícia Federal (PF) na Operação Navalha, Lula disse que o trabalho da PF não é arbitrário e ressaltou que, quem não quer ser investigado "que não cometa erros".

Sobre a reportagem que colocou sob suspeita a relação do senador Renan Calheiros com o lobista Cláudio Gontijo, assessor da empreiteira Mendes Júnior, Lula disse que o senador é inocente, até que se prove o contrário. "A reportagem o colocou sob suspeita. Isso não quer dizer que o senador Renan seja culpado ou tenha qualquer culpa. Ou seja, nós temos processo de investigação e vamos investigar", disse.

Lula comentou ainda a saída de Silas Rondeau do Ministério de Minas e Energia dizendo que o afastamento era uma necessidade para que Rondeau não ficasse "sangrando a vida inteira". "Ninguém suporta ficar nas primeiras páginas de jornais o tempo inteiro. Até agora, não tem nada contra o Silas, a não ser suposições. Como eu acredito no processo de investigação, vamos investigar. Se tiver alguma coisa contra o ministro Silas, ele pagará pelo erro que cometeu", disse.

"Doa a quem doer"
O presidente garantiu que todas as denúncias de corrupção serão investigadas, doa a quem doer. "Se as pessoas não querem ser molestadas pelo Ministério Público ou serem molestadas pela imprensa, as pessoas que não cometam erros. Se não tiver erros, não há investigação a respeito das pessoas", disse.

"Nós iremos investigar todas as denúncias que forem feitas, doa a quem doer, seja contra quem quer que seja. Se houver indícios de prova, o papel do governo é facilitar que a Polícia Federal faça investigação, que o Ministério Público faça a investigação", acrescentou.

Lula defendeu que a Polícia Federal e o Ministério Público sejam independentes em suas atuações. Para o presidente, "não há necessidade" de impedir que tanto a PF quanto o MP utilizem o poder que têm para fazer investigações.

Na última quinta-feira, parlamentares do conselho político da coalizão queixaram-se ao presidente Lula de que os policiais estariam cometendo abusos durante a operação, como prisões sem justificativa e vazamento de informações sigilosas.

Diante das reclamações, o presidente solicitou a apuração dos possíveis excessos da PF, de acordo com relato do ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. No mesmo dia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu que pode ter havido vazamento de informações da polícia sobre a operação e garantiu a investigação do fato.

O presidente garantiu ainda que as investigações da Operação Navalha, que apontaram possíveis fraudes de licitações públicas em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula disse que não haverá prejuízo para o programa. Segundo ele, o PAC é independente de qualquer investigação.

"Eu estou convencido que as denúncias são indícios importantes de que nós precisamos melhorar o processo de licitação nesse país e o processo de concorrência de obras públicas, porque muitas delas são obras delegadas do governo federal para estados e para municípios. E se, em algum momento da história de uma licitação, houve um problema, que se apure e que se puna quem cometeu o erro."

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