Por: Agências
Data de Publicação: 1 de junho de 2007

Os médicos peritos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) estão trabalhando sob pressão e sem a devida proteção. Eles estão expostos a verdadeiras quadrilhas que fraudam documentos para obtenção de benefícios irregulares.
Além disso, o maior rigor nas perícias também coloca o profissional, que tem contato direto com o paciente, em uma situação delicada. Diante desse cenário, a categoria decidiu protestar e paralisar, hoje e amanhã, as atividades periciais em todo o país.
Em oito meses, dois médicos peritos foram assassinados. O último caso aconteceu anteontem, em Patrocínio, quando José Rodrigues de Souza, 60, foi morto dentro do consultório.
Em setembro de 2006, quando aconteceu o primeiro crime, foi apresentada uma lista de dez reivindicações para melhoria da segurança. Mas apenas uma delas foi atendida. A previsão é que as perícias sejam normalizadas na próxima segunda.
Na terça, deverá ocorrer uma audiência entre o Ministério Público Federal e a Associação Nacional de Médicos Peritos (ANMP), em Brasília, para tratar do assunto. A decisão ficou acertada ontem, após o sepultamento de Souza.
A agência onde o médico trabalhava ficou fechada ontem. Na entrada do local, um cartaz informava que a violência obrigava a interrupção do expediente.
Somos pressionados sobretudo pela população desempregada, autônoma ou em risco de perder seu emprego e que tem um interesse não-legítimo. Alguns sindicatos cometem o equívoco de tentar resolver um problema trabalhista através da previdência, disse o vice-presidente da ANMP, Eduardo Henrique Rodrigues de Almeida.
Segundo Almeida, o governo federal deveria esclarecer as reais condições para a concessão de benefícios, que ficaram mais rigorosas a partir de 2005.
Ele também ponderou que se instalou no Brasil uma cultura da fraude previdenciária. Até pessoas consideradas de boa índole apelam para atestados médicos falsos para conseguir alguma vantagem do INSS. O Conselho Regional de Medicina (CRM) também divulgou nota em repúdio contra o crime.
Investimentos -
Cerca de R$ 30 milhões deverão ser investidos na segurança das 1.400 agências do INSS espalhadas pelo país. Além da aquisição de detectores de metais, conforme o Ministério da Previdência Social, poderá haver compras de alarmes e até reestruturação da agência caso não haja saídas estratégicas de emergência.
De acordo com a assessoria do órgão, o ministro Luiz Marinho teria retornado ontem à capital federal para tentar agilizar os trâmites burocráticos da licitação.
Essas reivindicações quanto à segurança do servidor foram feitas desde setembro do ano passado quando a médica perita Maria Cristina Felipe da Silva foi assassinada em Governador Valadares, Vale do Rio Doce.
Dos dez itens formulados na época pela categoria, apenas um foi atendido pelo INSS. Ele trata do envio da comunicação do resultado do requerimento do benefício pelos Correios.
O assunto voltou à tona porque houve outra tragédia. A licitação para os equipamentos havia sido suspensa na semana passada. Não podemos deixar cair no esquecimento, pois medidas simples como instalação de sensores de pânico poderiam melhorar o ambiente de trabalho?, ressaltou Almeida.