Por: Agências
Data de Publicação: 30 de junho de 2007
Em entrevistas aos jornais do Acre, o senador Siba Machado disse que sua missão era proteger presidente do Senado. Depois de renunciar a presidência do Conselho de Ética do Senado, o senador acreano Siba Machado (PT) chega ao estado para tentar explicar o recuo nas investigações sobre o caso Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. "Sei exatamente o que fiz", justifica. Saber ele sabe, o problema é que em suas entrevistas ele deixou claro que dentro do Conselho a missão é uma só: proteger Renan contra uma possível cassação. Siba disse tudo, menos quais os reais motivos que o levaram a renúncia: se por vontade própria, ou por pressões da tropa de choque de Renan.
Em um trecho da entrevista, Siba diz que pediu para a Polícia Federal não extrapolar nas investigações sobre a papelada apresentada por Renan, que justificariam seus ganhos com venda de gado, e que lhe renderiam um faturamento médio de R$ 1,9 milhões.
Seria por esse dinheiro, segundo Renan, que ele pagava uma pensão no valor de R$ 12 mil à jornalista Mônica Veloso - com quem ele teve uma filha fora do casamento. A perícia da PF apontou que as notas apresentadas por Renan não tinham consistências técnicas. "Pedi à polícia que não extrapolasse sua competência", diz Siba.
Para o acreano, as irregularidades apontadas pela PF nos documentos "bovinos" de Renan passariam a não mais ser investigada pelo Conselho de Ética, mas, sim, pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Siba deixa a ligeira impressão de que, a orientação dentro do Conselho de Ética é a de proteger e acobertar as irregularidades praticadas pelo senador alagoano. O petista acreano confirma que, dentro do Conselho a todo um "jogo de interesses" para acobertar as relações do senador com a empreiteira Mendes Junior e seus negócios pecuários.
Siba diz, inclusive, que até mesmo a disputa presidencial de 2010 estaria em jogo já que Renan teria intenções de sair como vice-presidente em uma eventual candidatura do PMDB. Siba afirma, ainda, que não quis mais continuar nas investigações sobre o caso Reana, pois não queria entrar em choque com os interesses do seu partido, o PT, e do Palácio do Planalto.
Ainda de acordo com Siba, o ex-relator Epitáfio Cafeteira (PTB-MA) que sugeriu a absolvição de Renan, renunciou ao cargo e não pediu licença para tratamento médico como dito a imprensa. Cafeteira não estaria agüentando às pressões de aliados e da opinião publica que pede a condenação do presidente do Senado.