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É hora de os republicanos partirem

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Por: Estadao.com.br
Data de Publicação: 15 de outubro de 2008

 Desde que George W. Bush assumiu a presidência, o Partido Republicano respondeu pelos enormes gastos do governo, por transformar o superávit orçamentário federal num déficit de meio trilhão de dólares e por desviar o olhar quando a cobiça e a estupidez de Wall Street transformavam o livre mercado numa terra arrasada. Agora o partido tem de vigiar enquanto o presidente orquestra a maior intervenção governamental nas atividades do setor privado desde o New Deal.

Pode um candidato republicano dizer, sem pestanejar, que pertence ao partido de um governo com tamanha ingerência nos negócios privados? E, nesse caso, pode um candidato republicano explicar plausivelmente o que o seu partido deve representar nos dias atuais?

É patético ouvir alguns charlatões em programas de rádio de direita tentando ligar Barack Obama a idéias "socialistas" ou "radicais", quando uma administração republicana joga de lado o Atlas Shrugged, de Ayn Rand (romance que se passa nas décadas de 30 a 40, durante o New Deal, em que houve uma guinada do país para a esquerda) e passa a ler rapidamente O Capital, de Karl Marx.

O Federal Reserve anunciou que vai disponibilizar volumes ilimitados de dólares para swaps cambiais com o Banco da Inglaterra, o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço, à medida que essas instituições se juntam para impedir grandes bancos comerciais de irem à falência - levando potencialmente bancos dos EUA com eles. Nenhum membro do gabinete de Bush pode ser ouvido falando da irrelevância da "Velha Europa".

Essa mudança de atitude é necessária, você pode pensar. Mas a questão não é se medidas drásticas, claramente socialistas, são necessárias para salvar a economia, mas que tipo de medidas. Sentar e deixar que essa situação medonha se corrija sozinha não é uma opção.

Politicamente, contudo, existe alguma justiça no fato de que é um presidente republicano que precisa lidar com esta crise provocada pelos republicanos. Essa pequena ironia não vale US$ 700 bilhões, mas até agora é tudo o que temos. Depois de oito anos de governo Bush - falando francamente - , o Partido Republicano é um caos e uma fraude.

Ele afirmou acreditar na livre concorrência, sem entraves, mas escolheu os vencedores e perdedores de um sistema de capitalismo de apadrinhamento. Para comprovar meu argumento basta um nome: Jack Abramoff.

Os cortes de impostos feitos por Bush, que favoreceram os abastados, mostraram que o presidente não acreditava na taxação progressiva. Acho isso escandaloso, mas o governo agora vai mais além e, na verdade,parece preferir um sistema de taxação regressiva. Para mim, é a única explicação para o fato de os administradores de fundos de hedge que acumulam centenas de milhões de dólares ao ano pagarem taxas mais baixas do que seus motoristas.

Agora que estamos em época eleitoral, o partido, como de hábito, procura nos convencer de que está do lado dos pequenos. Sarah Palin tem sido vista tentando mostrar a todo mundo que o partido se preocupa profundamente com uma série de questões culturais: Deus, armas, gays, aborto, etc. Se McCain e Palin forem eleitos, sem dúvida engavetarão esses assuntos até a próxima eleição.

E não é de se supor que os republicanos deveriam se colocar drasticamente contra a invasão de privacidade das pessoas? Então por que os republicanos ficaram tão impassíveis quando se revelou que o governo Bush vinha exercendo uma vigilância sem precedentes das comunicações eletrônicas privadas dos americanos?

Quando Ronald Reagan era presidente eu conseguia compreender que princípios o partido representava. Quando Newt Gingrich e sua brigada tomaram Washington de assalto em 1994, sabia no que eles acreditavam - por mais maluco que fosse. Desafio qualquer um a me dar uma explicação coerente do que o Partido Republicano hoje pretende fazer, exceto se perpetuar no poder.

Quando um partido chega a esse nível de incoerência, a solução mais eficaz é um longo período no ostracismo. Os americanos devem ajudar os republicanos a partirem, enviando-os para casa para se reorganizarem melhor.


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