
Uma espécie de pacto de silêncio entre os deputados estaduais governistas e da oposição sobre o valor da nova sede do Legislativo estadual poderá ser quebrado pelo deputado Alberto Franco (PSDB) na primeira sessão ordinária realizada no novo endereço.
Midiático, o deputado tucano prometeu à imprensa que o primeiro requerimento que vai apresentar à mesa diretora da Casa será para obter informações sobre todos os valores e procedimentos licitatórios envolvendo a construção das instalações da nova sede do legislativo estadual no sítio de preservação ambiental do Rangedor, no bairro do Cohafuma.
Entre os deputados, até mesmo para a petista Helena Barros Heluy, o assunto parece não ter a mesma importância que outras prestações de contas públicas. Da mesma forma, a questão ambiental não toca aos deputados acomodados numa área de 9 mil hectares. Para se instalar na área foi devastada boa parte de uma das três reservas de proteção ambiental da ilha de São Luís.
O líder oposicionista Ricardo Murad (PMDB) disse desconhecer o valor da obra. Já que não faz parte da Mesa Direta, Murad se exime de ter tido qualquer interferência na construção da nova sede.
“Só ouço pelos jornais sobre os valores da obra. Eles não podem ser criticados sem que se estude os preços praticados, os processos que foram adotados para a construção”, afirma Murad. Ele disse que até agora não encontra motivos para elogiar ou criticar o que foi gasto.
A proposta de Franco pode acabar esvaziada pelo desinteresse em trazer o assunto à tona para um debate público. Fala-se que a obra foi aditividade sequencialmente até o ultrapassar a casa dos FR$ 100 milhões de reais.
O volume soberbo de recursos para alguns deputados foi compensado pela suntuosidade do prédio. Alberto Franco acha incompatível tamanho investimento com a realidade socioeconômica do estado.
Satisfeito com seu trabalho e com a placa em sua homenagem colocada no hall de entrada do novo prédio,o deputado César Pires (DM), nem de longe lembra mais aquele parlamentar que tanto encasquetou com os convênios firmados entre o governo de José Reinaldo Tavares e prefeitos hoje aliados de Jackson lago. Aliás, Pires não mediu elogios a Tavares e o atual governador do estado na cerimônia de inauguração. Talvez a ausência de Roseana Sarney tenha encorajado o ex-reitor da UEMA.