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Estado também está na farra do cartão corporativo

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Por: O Imparcial
Data de Publicação: 11 de fevereiro de 2008
Os gastos exorbitantes e inusitados de cartões corporativos não estão restritos a membros do primeiro escalão do governo federal. Órgãos nos estados também colecionam suntuosas despesas com os créditos, pagas com recursos públicos.

Levantamento do jornal O Imparcial no Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União, mostra que, no Maranhão, 75 gestores de cinco gerências federais gastaram, em 2007, R$ 467,2 mil apenas usando os chamados cartões de pagamento, que já virou motivo de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional.

A maioria dos usuários dos créditos não é formada por gestores: são agentes administrativos, fotógrafos e até motoristas. A benesse serve para custear despesa no exercício da função e sacar dinheiro em caixa eletrônico. Em alguns casos, porém, servidores do Maranhão fizeram compras inusitadas: uma em um bazar e lojas de utilidades, comprando napas e revelando fotos.

Dentre os cinco órgãos federais no Maranhão de posse de cartões corporativos – Incra, Delegacia Regional do Trabalho, Gerência da Fundação Nacional de Saúde, Cefet e Vigilância Sanitária – os 34 gestores da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) foram os campeões no uso do cartão. Em 2007, gastaram R$ 326,4 mil. Dentre as gerências da Funasa de todo o Brasil, foi a segunda que mais pagou despesas com o benefício.

Os maiores gastos são de dois servidores: Herbiton Lima Silva e Jeovany Garces. Juntos, eles consumiram R$ 47,4 mil ao longo do ano – R$ 23,7 cada. O crédito é superior ao usado pelo ministro Altemir Gregolin (Pesca), de R$ 21,8 mil. Gregolin chegou a ser investigado pelo uso indevido do cartão.

O segundo órgão que mais gastou foi o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Foram consumidos R$ 102,9 mil por 36 servidores que têm o cartão registrado em seu nome. Os dois funcionários que mais gastaram foram o fotógrafo Sérgio Campos (R$ 9,9 mil) e motorista Antônio Lisboa Filho (R$ 9,7 mil).

O primeiro, segundo consta no Portal Transparência, pagou, no dia 10 de setembro do ano passado, R$ 600 no Foto Sombra, estabelecimento que vende máquinas fotográficas e revela fotos. Em 18 de julho do mesmo ano, outro gasto inusitado: R$ 74,52 no Comercial Ipanema, em Imperatriz.

O bazar vende brinquedos, artigos de papelaria. De cozinha e produtos para bebês. Já Antônio Filho usou mais da metade dos R$ 9,7 mil que gastou em postos de gasolina e para efetuar saques. Ele sacou R$ 4,5 em 39 vezes ao longo de 2007.

A gestora Tereza Correa, do Cefet, gastou R$ 31,5 mil usando o cartão. As despesas mais recorrentes foram em lojas de material de construção, produtos odontológicos e estabelecimentos de informática.

Exceto pelo pagamento de R$ 200, em julho de 2007, para a Tory Brindes, especializada na confecção de cartões, chaveiros, banners e canetas, e de R$ 80, na papelaria Magazine São Francisco. Ela sacou R$ 1,9 mil ao longo do ano.

Seu consumo é comparado ao do ministro do esporte, Orlando Silva. Ele gastou R$ 30 mil, foi acusado de uso indevido do cartão e devolveu a integralidade do dinheiro. Em 2006, o gasto da gestora ainda foi maior: R$ 34, mil.

Os demais órgãos que também efetuaram despesas com cartão de crédito pago com dinheiro público foram Delegacia Regional do Trabalho (R$ 2,3 mil) e Vigilância Sanitária (R$ 4,1 mil).

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