Por: Folha online
Data de Publicação: 19 de fevereiro de 2008
Após a pressão da oposição, o PMDB já sinaliza abrir mão da presidência da CPI mista (formada por deputados e senadores) dos Cartões Corporativos. Insatisfeitos com a distribuição de cargos, integrantes da oposição apresentaram hoje requerimento com 30 assinaturas para a instalação de uma segunda CPI dos Cartões Corporativos. Esse segunda comissão funcionaria apenas no Senado, onde a diferença entre o número de integrantes da base governista e da oposição não é tão grande quanto na Câmara.
O pedido de criação de uma segunda CPI foi uma represália à decisão do governo em indicar o senador Neuto de Conto (PMDB-SC) e o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) para a presidência e a relatoria da comissão mista --proposta pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). DEM e PSDB admitem não instalar a CPI do Senado, na prática, caso conquistem um dos cargos de direção da comissão mista.

O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), disse à Folha Online que "se for para o bem da instituição pode haver um entendimento" dentro da base governista para evitar que duas comissões investiguem o uso dos cartões corporativos pelo governo.
Conto disse que ainda não foi informado sobre a possibilidade do PMDB recuar de sua indicação. Mas sinalizou não estar disposto em abrir mão da presidência da CPI mista dos Cartões Corporativos. "Quem tem que abrir mão é o partido, eu já dei a minha resposta de que aceito o cargo. Eu refleti muito sobre essa indicação. Quando disse sim, eu disse para valer", afirmou.
O peemedebista, no entanto, considerou legítimo o pedido da oposição para instalar a CPI no Senado --mesmo que seja apenas para pressionar o governo a compartilhar o comando da comissão mista. "Em política, vale tudo. Mas é impossível termos duas comissões. É inadmissível fiscalizar o mesmo assunto com dois quadros diferentes. Temos que ter responsabilidade", defendeu Conto.
Oficialmente, a oposição nega que o requerimento de instalação da CPI do Senado seja uma estratégia para pressionar o governo a retirar Conto da presidência da comissão mista. Mas líderes oposicionistas reconhecem que, após o pedido de instalação da comissão do Senado, o governo terá que negociar --sob pena de ser investigado por duas CPIs simultaneamente.
"Nós não abrimos mão de dirigir uma das comissões. Aqui no Senado não tem mágica que nos negue fazer parte da direção da CPI. O requerimento de instalação da CPI no Senado foi uma resposta clara à conversa afiada do governo", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que vai manter até amanhã as negociações com o PMDB para que o partido ceda a presidência da comissão mista à oposição --mas reconheceu que as conversas serão difíceis.
"Estamos construindo com a base aliada a busca do entendimento. Mas não é um pedido de CPI que servirá de pressão. Vou procurar a forma do governo atuar junto ao PMDB, mas o partido tem dito que não está disposto a abrir mão do cargo", disse.