Por: Ascom UFMA
Data de Publicação: 20 de fevereiro de 2008

Pesquisa realizada pelo Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) revela um quadro preocupante sobre a violência doméstica sofrida por crianças de São Luís.
Os números preliminares apontam que 85% das crianças estão em situação de violência doméstica na primeira infância (período que vai dos três aos seis anos de idade). Além disso, 72% não têm o nome do pai no registro e 69% recebem assistência de irmãos mais velhos, avós maternos ou vizinhos para que a mãe possa trabalhar.
Os dados parciais foram coletados em 18 bairros da periferia. O projeto visitou 500 lares e entrevistou 170 professores da rede pública de ensino e 200 agentes de saúde que atuam nas comunidades estudadas.
Em relação aos professores, 70% deles comunicam a direção da escola quando suspeitam que um aluno esteja sofrendo violência doméstica. A pesquisa constatou ainda que 30% deles chamam os pais ao colégio para conversar sobre o fato, mas 90% desconsideram a possibilidade de comunicar o ocorrido ao conselho tutelar do bairro.
62% dos educadores afirmam que não denunciam a violência doméstica para “proteger” ou “para não desfazer” um núcleo familiar. Entre os agentes de saúde, esse índice foi de 68%. Todos os professores e agentes de saúde entrevistados temem represálias do suspeito de agressão.
Para a orientadora da pesquisa, Artenira da Silva, a solução para o problema é trabalhar diretamente com os educadores. “Estamos trabalhando com multiplicadores da Secretaria Municipal de Educação e 100% dos docentes demonstraram interesse pelo tema”.
Segundo o estudo, entende-se por violência “qualquer forma de mau trato físico e emocional, abuso sexual, negligência ou tratamento negligente, ou exploração comercial, ou qualquer outro tipo de exploração que resulte em danos reais ou potenciais à saúde no contexto de uma relação de responsabilidade , poder ou confiança da criança com um adulto”.