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Brincantes aproveitam último dia de Carnaval

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Por: O Imparcial
Data de Publicação: 6 de fevereiro de 2008
No último dia de carnaval, os foliões foram às ruas de São Luís em busca da alegria que deixará saudades. Em vários cantos da cidade era possível encontrar aqueles que, mesmo após três dias de folia, ainda encontravam forças e energia para brincar e curtir a folia de Momo. Blocos de sujo, tambor-de-crioula, blocos alternativos e muito mais foram as atrações que marcaram a Terça-Feira Gorda em toda a cidade.

Um dos primeiros blocos a ganhar o circuito da Rua do Passeio no final da tarde de ontem foi o bloco Rola Cansada, criado há sete anos por antigos moradores do bairro da Madre Deus. “Muitas famílias foram criadas aqui e, com o passar do tempo, saíram para outros bairros. Para matar a saudade da vizinhança, resolvemos criar a brincadeira para que todos pudessem brincar com bastante alegria”, contou Luís Gonzaga, um dos idealizadores do Rola Cansada.

Disposição o grupo tinha de sobra. Animados pelas antigas marchinhas de carnaval, os integrantes dançavam e brincavam pelas ruas do bairro mais festeiro da Ilha. Munido com o bom amido de milho, o folião Maurício Campos, 22 anos, era um dos mais animados.

“Eu adoro carnaval e como fui criado aqui, não tem como não vir pra cá todos os anos. Gosto da brincadeira porque só tem pessoas conhecidas e que brincam com segurança. Para agüentar até o fim, só muita cerveja”, disse.

Ao final, depois de percorrer várias ruas, foi servida a tradicional “sopa de entulho”, como eles designaram a comida servida ao final do percurso. “Essa é pra dar um gás para continuar a festa em outros blocos”, justificou Luís Gonzaga.

Teatro e Carnaval

Em outro ponto do Centro de São Luís, em frente ao Teatro Arthur Azevedo, outra brincadeira fazia a alegria dos foliões: o bloco das “Feias Como o Quê”, idealizado pelos integrantes da trupe da peça “Uma Linda Quase Mulher”. Formado há cinco anos, a brincadeira tem a intenção de levar alegria às pessoas que admiram o grupo e brincar sem compromisso com ‘abadá’.

“Nós não temos compromisso nenhum, somente com a alegria. Como as pessoas falam muito em padrão de beleza, nós criamos um bloco para falar o contrário: da feiúra. É o dia que dedicamos às feias. No nosso caso, ficamos lindas 364 dias por ano e neste a gente mostra nosso lado feio”, explicou Júlia Roberta, personagem da famosa peça maranhense e interpretada pelo ator Denilton Neves.

A cada ano o bloco sai de um local diferente: a escolha de 2008 foi o Teatro Arthur Azevedo, onde as personagens reúnem uma grande platéia a cada apresentação do espetáculo que está em cartaz desde 1999.

Era grande o número de foliões interessados em dançar com as personagens. Mia Cara de Gato, vivida por Arilson Ferreira, era só animação e desfilava com uma roupa “muito chique”. Quem também deu às caras foi D. Casemira, personagem também bastante conhecida e interpretada por Guilherme Telles.

“Tem muita gente feia aqui. Temos representantes de São Bento, do Rio de Janeiro, de São Paulo e até de Matinha do Norte. Aqui é pra dançar, pra gastar bem o dinheiro do som que alugamos que, por sinal, é bastante caro”, alertou.

Obedecendo a ordem dada, o professor Jorge Freitas brincava ao som do Bicho Terra. “Acho a peça bastante divertida e o bloco não poderia ser diferente. Eu vim ano passado e queria aproveitar também neste carnaval. É ótimo estar no meio de tanta gente alegre e feliz”, declarou.

Bairro

Para quem pensa que a folia estava concentrada no centro de São Luís, está enganado. Em vários bairros da cidade o último dia de folia era aproveitado por todos. Foi o caso do Bequimão, que foi arrastado pelo bloco As Melindrosas, nascido no bairro há 17 anos e que faz a festa sempre na Terça-Feira Gorda.

O bloco fez um verdadeiro arrastão pelas ruas, levando os foliões ao delírio com sua banda animada entoando as marchinhas carnavalescas. Um dos mais animados era um de seus criadores, Veiga Júnior, que já foi Rei Momo do carnaval de São Luís.

“A gente começou pequeno, brincando somente na Rua 30. Com o tempo, o bloco foi crescendo e hoje reunimos um grande número de brincantes. É um prazer fazer essa festa nas ruas do bairro”, disse.

Muitos não dispensaram as fantasias. Muitos homens “liberaram” seu lado feminino e se vestiram de mulher. Foi o caso de José Bonifácio da Silva, que pegou uma roupa emprestada da irmã para brincar n’As Melindrosas. “Tem quatro anos que saio no bloco, que é muito animado. Dá pra gente brincar e aproveitar muito”, disse com um litro de cachaça do lado.

Tambor

Como no Maranhão, o carnaval é a festa da diversidade rítmica, com seus blocos alternativos, de sujo, tribos de índios, casinha da roça e muito mais, uma dança não poderia ficar de fora: o tambor-de-crioula, importante manifestação da cultura popular e Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro que encontra seu espaço inclusive no carnaval.

Próximo à Passarela do Samba (Anel Viário), muitos grupos se revezavam mostrando a sua vitalidade e força. Um dos primeiros a se apresentar foi o tambor-de-crioula Milagre de São Benedito, do Coroadinho, que nasceu há 23 anos a partir de uma promessa da fundadora Conceição Sousa.

“É com muito amor que eu apresento esse tambor. A gente se apresenta até no carnaval e isso é muito bom para divulgar ainda mais a nossa dança que é tão importante”, disse. Seus mais de 30 integrantes dançavam e tocavam com a alegria típica da folia de Momo.

Pessoas de todas as idades observavam atentamente a dança. A estudante Rose Moreira tentou acompanhar alguns passos das coreiras. “Acho que é uma das danças mais bonitas do Maranhão e do Brasil. Tem uma batida forte, dançante e que seduz quem escuta e vê. Fico feliz em ver que eles estão presentes até no carnaval”, festejou.

O aposentado Francisco Alves, de 73 anos, também observava toda a movimentação do grupo do Coroadinho. “Adoro a batida forte dos tambores. As pessoas tocam e dançam com uma felicidade estampada no rosto”, concluiu.

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