Por: Jornal Pequeno
Data de Publicação: 19 de março de 2008

Um aumento de 40% nos preços das passagens cobradas pelas embarcações que fazem o transporte de passageiros de Alcântara para São Luís e de São Luís para Alcântara deixou os moradores daquele município revoltados. Reunidos na noite de segunda-feira, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, representantes da Câmara de Vereadores e da sociedade civil decidiram fazer hoje, às 7h30, um ato público em protesto pelo reajuste.
São três as embarcações que servem Alcântara, as lanchas Bahia Star e Diamantina, e o barco Barraqueiros. Segundo o vereador José Ribamar Castro Alves (Zezinho), presidente da Câmara Municipal, o aumento aconteceu sem nenhuma justificativa, afirmando que os donos das embarcações apenas colocaram comunicados nos meios de transporte informando que os novos valores passariam a valer a partir do dia 15 de março, sem discutirem o assunto com a população.
Os valores cobrados variam de acordo com horário de saída das embarcações. De Alcântara para São Luís, com saída às 6h30 e 7h, o preço era R$ 5, aumentou para R$ 7; saída às 8h30 era R$ 10 aumentou para R$ 14; saída às 16h era R$ 10 passou para R$ 14. De São Luís para Alcântara, saída às 7h e 9h era R$ 10 subiu para R$ 14, à tarde era R$ 5 aumentou para R$ 7. “Esses preços nunca foram explicados. Ninguém sabe o porquê dessa diferença de valores em horários diferentes, pois o trajeto e a distância são os mesmos a mesma”, afirmou Zezinho.
O vereador Zezinho disse que as embarcações não oferecem condições adequadas para os passageiros. O barco, segundo o parlamentar, possui bancos de madeira e apenas um banheiro para homens e mulheres; as lanchas com ar-condicionado sem funcionar e com as TVs apresentando problemas.
Zezinho informou que o protesto de hoje será apenas um alerta e que amanhã vai acontecer um ainda maior, onde os manifestantes pretendem impedir a saída das embarcações do porto do Jacaré, em Alcântara, e a atracação dos que chegarem de São Luís. O vereador também disse que no dia 28 deste mês haverá uma audiência pública, na Câmara de Vereadores, para discutir os novos valores das passagens, o desconforto das embarcações, os maus tratos aos idosos e a não cobrança da meia passagem para os estudantes.
Outro lado – A reportagem do Jornal Pequeno tentou ouvir os responsáveis pelas embarcações, mas só conseguiu localizar o proprietário do barco Barraqueiros, João Silva Lima Júnior. Ele disse que esse aumento era necessário, pois há cinco anos que as passagens não eram reajustadas e que isso se deu porque houve reajuste no salário dos funcionários de sua embarcação e que em 2002 o diesel custava R$ 0,65 e hoje está por R$ 1,85. “Ninguém quer ganhar um salário mínimo para trabalhar nas embarcações, só aceitam de R$ 600 a R$ 1000. Não tinha mais condições de sustentar o barco com a passagem a R$ 5, ou aumentava ou parava de trabalhar”, explicou João Silva.
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