São Luís - Maranhão,
Mais um grupo de candidatos ao concurso da Câmara dos Deputados vai recorrer ao Ministério Público Federal para contestar a avaliação aplicada pela Fundação Carlos Chagas (FCC).
Inscritos que realizaram a prova prática para o cargo comunicação social - área imprensa apresentaram a denúncia à Procuradoria Geral do Distrito Federal. O documento pede que a avaliação seja reaplicada sem a identificação dos candidatos. Outra exigência é que a FCC divulgue os critérios de correção antes de realizar um novo teste.
O grupo tem dois argumentos principais para pedir a anulação da prova. O primeiro diz respeito a identificação do concorrente na prova. A candidata Mariana Abreu de Oliveira lembra que o edital nº 27 do concurso especifica que os inscritos seriam identificados por meio de autenticação digital.
"No entanto, os examinadores nos mandaram assinar as folhas de respostas, o que contraria o edital e nos identifica", alega a candidata.
A comissão também reclama que a FCC não divulgou os critérios prévios de correção das provas. Neste caso, o grupo se ampara em uma ação movida pelo MPF em dezembro passado.
Na ocasião, candidatos ao mesmo concurso para os cargos de analista de recursos humanos e taquigrafia foram ao MPF reclamar da divulgação dos critérios apenas depois que a avaliação discursiva foi aplicada. A procuradora da República Michele Rangel Bastos recomendou à Câmara e a FCC que anulassem a avaliação. O caso foi parar na Justiça Federal, que ainda não deu parecer sobre anulação do exame.
Além desses dois pontos, os candidatos citam o erro cometido pela FCC no resultado provisório da prova prática, publicado nesta terça-feira. O edital aponta que a candidata Lara de Podesta Haje tirou 157.50 pontos. No entanto, a nota máxima da avaliação era 150.
Até a tarde de terça-feira, a FCC ainda não havia corrigido o erro. A comissão se reuniu na quarta-feira com o deputado federal Rodrigo Rollemberg para pedir apoio junto a Câmara.
Desorganização
Outro problema relatado pelos candidatos diz respeito à fiscalização durante a aplicação das provas práticas. A comissão reclama que havia dois fiscais para cada sala com 27 computadores. "Eles não tinham condições, por exemplo, de verificar se os candidatos estavam usando a ferramenta corretor de texto, que era proibido no concurso", relata Mariana.
A FCC não atendeu aos questionamentos da reportagem. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Câmara dos Deputados informa que a Casa 'não interfere no processo de aplicação das provas ou faz qualquer ingerência na metodologia aplicada para correção ou pontuação'.
A assessoria explica ainda que todas decisões e atos administrativos da Fundação Carlos Chagas devem se pautar pelo critério da isonomia. Caso sejam comprovados vícios no processo que comprometam esse princípio, a Câmara seria a primeira a determinar as correções, inclusive, se necessário, a anulação do concurso.
