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População exige a volta do Policiamento Velado

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Por: Jornal Pequeno
Data de Publicação: 30 de abril de 2008
No dia 10 de abril, José Newton Resende foi covardemente assassinado por três assaltantes. O crime aconteceu dias depois do Serviço de Policiamento Velado da Polícia Militar ser temporariamente suspenso. A decisão aconteceu após uma denúncia da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos e OAB-MA contra os policiais da guarnição. Dias antes de assassinar o comerciante, a quadrilha era investigada pelo Serviço Velado, que teve de paralisar as investigações. Para moradores do Vinhais, a paralisação do Velado incidiu diretamente na morte do comerciante.



Na manhã de ontem, 29, dezenas de moradores do Vinhais, bairro onde fica o Mercantil Piracuru, onde José Newton teve sua vida ceifada pela quadrilha de assaltantes, foram às ruas do conjunto para pedir mais segurança e a volta do Serviço Velado.


De acordo com eles, a falta de um policiamento mais ostensivo e a desarticulação do Serviço Velado deixou o bairro mais perigoso. “Não se pode mais sair de casa. Eles nos roubam usando todo tipo de artifício e a qualquer hora do dia. Meu marido foi uma vítima desta circunstância absurda”, disse Maria do Socorro Resende, viúva de José Newton.


A manifestação foi acompanhada pelo comandante do Policiamento Metropolitano, coronel Francisco Melo. Algumas pessoas pediram providências imediatas para o problema. Apesar de coordenar um grupo de policiais que monitorava a manifestação, o coronel afirmou que uma nova viatura será colocada no Vinhais. “Temos consciência da gravidade do problema e vamos destacar mais uma viatura para o lugar”.


Direitos de quem? – “Não lembro de ver ninguém dos Direitos Humanos ir até a casa da dona Socorro para lhe dar auxílio. Esse pessoal, inexplicavelmente, gosta de dar apoio a bandidos e assassinos, desprezar o sofrimento das vítimas e perseguir policiais”, se revoltou o comerciante Weydman Vitório de Sousa.


A revolta de Weydman, que já foi assaltado seis vezes, era compartilhada por todos os presentes na manifestação. “Todo mundo na minha família já foi espancado e humilhado por bandidos. Foram 17 assaltos! A cada dia que passa não sei se eu ou uma filha minha pode ter o mesmo destino do falecido José Newton. Da mesma forma que a Socorro, nunca recebi uma visita dos Direitos Humanos. Mas, todos os dias eles estão na Delegacia do Vinhais trabalhando para que os assaltantes e assassinos que aterrorizam o bairro tenham seus direitos”, disse Pedro Carvalho Ramos, dono de uma distribuidora naquela comunidade.


Quando se lembrou das vezes em que seu comércio foi assaltado, Pedro Carvalho se emocionou e chorou. “Será que sou eu, o pai de família trabalhador que estou errado? Será que devo pagar com a minha vida pela irresponsabilidade dos Direitos Humanos? Quantos mais terão que morrer? Quantos?”.


A revolta contra a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos era intensa. “Quando um policial toca um dedo em bandidos durante o cumprimento do dever, ele é acusado de ser torturador e carrasco. Quando um assassino mata pais de família, eles são tratados como vítimas. Isso é conivência com o crime”, protestou uma estudante.


Madre Deus quer combate a gangues – Ainda na manhã de ontem, moradores da Madre de Deus foram ao comando do Policiamento Metropolitano pedir uma ação mais efetiva da Polícia Militar no combate às gangues que aterrorizam o bairro. De acordo com os líderes comunitários, a guerra desses grupos de marginais transformou o bairro em uma zona de guerra. “Está tendo muita briga de gangues. A situação está se tornando insustentável. Como está se aproximando o festejo de São Pedro, estamos ficando muito preocupados”, disse Maria do Carmo Silva, moradora da Madre de Deus.


“Na noite de segunda-feira aconteceu um tiroteio que deixou todo mundo apavorado”, disse José Mauro de Jesus, também morador da Madre de Deus.


Os moradores protocolaram documento no Comando Geral da Polícia Militar exigindo que uma guarita seja instalada na avenida Vitorino Freire, nas proximidades da Igreja de São Pedro. “Acreditamos no bom senso da secretária de Segurança Cidadã e esperamos que ela atenda nosso pedido”, frisou José Mauro.

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