São Luís - Maranhão,
Dezenas de moradores da Vila Progresso e da Vila Marinha, localizadas entre os bairros Cohafuma e Recanto dos Vinhais, interditaram por alguns minutos a Avenida Jerônimo de Albuquerque, próximo ao Moraes Center, em protesto contra as péssimas condições de infra-estrutura agravadas com as chuvas que vêm caindo com violência nas últimas semanas.
Os manifestantes ainda tentaram obstruir um duto que passa por baixo da avenida, através do qual fluem as águas de uma lagoa – ao lado da pista – a qual transborda com o aumento das chuvas e invade as ruas e casas dos moradores daquelas localidades.
Policiais Militares foram destacados para retirar os manifestantes e restabelecer o fluxo de automóveis. Houve empurra-empurra, mas ninguém saiu gravemente ferido. De acordo com os moradores, o nível da água começou a subir após a conclusão de obras que aumentaram o fluxo de água de um riacho, em uma rua transversal que dá acesso ao bairro Vinhais.
“Tudo começou depois que fizeram aquela obra na rua de cima. A água agora desce toda para cá e inunda as casas”, disse um morador. As ruas Paris e da Paz foram invadidas pelas águas. “Isso aqui é só água de esgoto, só doenças e as crianças são as que mais sofrem. A gente precisa de saneamento. Com essa coisa de dengue é ainda pior”, reclamou Domingas de Jesus Vieira.
Segundo um dos moradores, geladeiras pifaram, colchões foram encharcados e muita gente nem conseguiu dormir. “Ninguém foi trabalhar hoje, e as crianças não foram ao colégio. Existe mais de mil casas por aqui”, disse Vicente Pereira.
Ruas e casas alagadas
Segundo o morador da Vila Progresso, Vanderly Campos de Oliveira, o acúmulo de água atingiu a altura do pescoço de seu filho de apenas um ano, enquanto todos na casa dormiam. “Estou indignado até agora, eu vi meu filho quase sendo morto”, disse Oliveira.
Tanto o operário quanto outros moradores alegam que a violência da água se intensificou há 15 dias, após a mudança de uma tubulação com uma das aberturas para a Avenida Jerônimo de Albuquerque. “Toda a água do Vinhais e do Cohafuma desce para cá agora”, lamentou um dos residentes da Vila Progresso, que não quis se identificar.
A residência da diarista Alzenira Nascimento, 51, foi invadida pela água, e grande parte de seus bens foram danificados. “Móveis, roupas, geladeira, colchão. Os livros escolares das minhas filhas ficaram inutilizados, e os R$ 50 que eu tinha para comprar o material escolar restante foi embora com a enchente”, declarou a senhora. A família de Alzira, composta por mais cinco pessoas, quatro delas crianças, terão que passar os próximos dias com apenas uma rede e um colchão.
“Moro aqui há 11 anos e nunca tinha passado por uma situação dessa gravidade. Não podemos nem pedir abrigo aos vizinhos, porque todos estão nas mesmas condições”, lamentou. Em outra casa da Vila Progresso, de propriedade de Marta Mello, 35, a água atingiu mais de três palmos de altura. “Perdi os móveis, a geladeira que eu não terminei de pagar queimou, e meu fogão saiu boiando, não consegui recupera-lo”, comeplementou.
Na manhã de ontem, uma equipe da Defesa Civil Estadual foi até o local. Eles orientaram a população para tr6afegarem o mínimo possível na lama formada pela enchente, a fim de evitar o contágio de doenças. A mesma equipe acionou a Coordenadoria de Defesa Civil Municipal, responsável pela avaliação e triagem dos desabrigados, que serão encaminhados para a Secretaria Municipal de Assistência Social.
