São Luís - Maranhão,
Uma petição foi entregue ao Parlamento de Portugal para protestar contra a reforma da ortografia que prevê a unificação do português, idioma oficial em oito países. Segundo os assinantes do documento, a língua apresenta diferenças importantes de acordo com as regiões.
A petição, com mais de 33 mil assinaturas, foi entregue ao presidente do Parlamento português, Jaime Gama, com "vários relatórios e documentos demonstrando as fragilidades técnicas, científicas e políticas do acordo", declarou à agência Lusa o primeiro assinante do manifesto, o deputado europeu Vasco Graça Moura.
"Não vamos nos deixar prejudicar por jogos de interesses que não beneficiam de nenhuma forma o idioma português", diz o documento defendido, entre outros, pelo escritor Antonio Lobo Antunes e pelo arquiteto Alvaro Siza Vieira.
O "novo acordo ortográfico" foi assinado em 1991 por Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Ele deveria entrar em vigor em 1994 mas somente Brasil, Cabo Verde e São Tomé o ratificaram até agora.
O governo de José Socrates se comprometeu no início de março a tomar providências para que a reforma ortográfica seja aplicada "dentro de um prazo máximo de seis anos". O ministro português da Cultura, José Antonio Pinto Ribeiro, sustentou então que a unificação ortográfica era indispensável para "uma política de afirmação e de internacionalização do idioma português".
Esta decisão tem agora que ser aprovada pelo Parlamento, que vai debater sobre o assunto amanhã. A ortografia do português já foi modificada três vezes, em 1911, 1931 e 1945. O "ph" e o "y" chegaram a desaparecer. O novo acordo deve modificar 1,6% do vocabulário do português de Portugal, contra apenas 0,45% do vocabulário brasileiro.
Além disso, o alfabeto deve passar de 23 para 26 letras, com a incorporação do k, do w e do y.
