Por: O Imparcial
Data de Publicação: 6 de maio de 2008
Os membros da igreja Adventista do Sétimo Dia da Reforma Valdeci Tomé Pereira, 38, e Carlos Henrique Azevedo, 36, foram indiciados por curandeirismo qualificado após queimarem em terceiro grau o motorista Edmilson Lindoso, 49, em ritual religioso ocorrido dia 2 de abril, no bairro Coroadinho. O inquérito judicial está previsto para ser entregue a justiça na próxima semana, pela delegada titular do 10º DP (Coroadinho), Katherine Lima. O crime prevê de seis meses a dois anos de prisão.
Segundo a delegada, Valdeci Pereira compareceu ao 10º DP dia 26 do mês passado, e Carlos Henrique Azevedo, quatro dias depois. Os dois se disseram membros da igreja adventista da reforma do Gapara, e confirmaram a versão relatada pela família Lindoso. No depoimento, eles afirmaram terem persuadido a família a buscar a cura do diabetes e da hipertensão arterial de Edmilson Lindoso através de um tratamento a base de dieta vegetariana e rituais religiosos.
O suposto tratamento foi iniciado dia 2 do mês passado, e dois dias depois, em rito de escalda-pés, Edmilson teve os pés queimados em terceiro grau. A vítima foi conduzida ao Centro Médico do Coradinho duas semanas depois, em 17 de abril, pois até então a família acreditava na melhora de Edmilson. Os familiares só se deram conta do péssimo estado de saúde da vítima após a visita de Germano Lindoso, irmão de Edmilson, a quem o doente se lamentou e disse estar “morto”.
No mesmo dia os Lindoso registraram um boletim de ocorrência contra os dois religiosos, e foi aberto um inquérito para investigar o caso. A delegada titular Katherine Lima afirmou que o inquérito está previsto para ser finalizado e entregue a justiça na próxima semana. A pena prevista para os evangélicos, de acordo com o Código Penal, varia de seis meses a dois anos de prisão, e será julgada segundo a gravidade das lesões provocadas em Edmilson.
A vítima foi transferida para a UTI do Socorrão I desde 17 de abril, e teve os dedos dos pés amputados na semana passada. Até o julgamento, os religiosos aguardam em liberdade.
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