São Luís - Maranhão,
O assessor especial da Presidência da República e suplente de deputado federal, Washington Oliveira (PT), aproveitou a solenidade de inauguração do comitê de campanha da coligação "Unidade Popular" para desferir o mais duro golpe verbal ao ex-deputado federal João Castelo. "Ele é símbolo da corrupção", disse Oliveira no discurso que associou ainda o candidato tucano à prefeitura à Ditadura Militar.
A "Unidade Popular", composta pelo PT e PCdoB, tendo como candidato a prefeitura de São Luís o deputado federal Flávio Dino, deve ser a trincheira mais aguerrida conta as candidaturas tanto de Castelo como de Clodomir Paz.
O candidato do PDT também não foi poupado de críticas pelo candidato a vice-prefeito na chapa de Dino, Rodrigo Comerciário, do PT. O petista atacou, sobretudo, as falhas no sistema municipal e estadual de Saúde. "Rico quando fica doente é internado na UTI ou vai para São Paulo", bradou Comerciário.
Nas entrelinhas fazia menção a dois casos emblemáticos: Vítima de um acidente de trânsito o genro de Jackson Lago e secretário de Indústria e Comércio, Júlio Noronha, foi levado às pressas para São Paulo onde foi atendido em um hospital da rede privada.
Outro atendido na rede hospitalar capital paulista foi o ex-presidente da Assembléia Legislativa e hoje suplente de deputado estadual Manoel Ribeiro (PTB), irmão do também candidato a prefeito de São Luís em chapa pura, deputado federal Pedro Fernandes.
A Frente de Libertação do Maranhão foi o projeto político vitorioso desenhado pelo ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB), para derrotar nas urnas do Maranhão a oligarquia do senador José Sarney. Tanto o PSDB de Castelo como o PDT de Clodomir Paz e do governador Jackson Lago e o PCdoB de Flácio Dino estiveram juntos na eleição de 2006. De fora ficou o PT de Rodrigo Comerciário, da corrente Articulação, comandada no estado por Washington Oliveira.
Oliveira é o mesmo que defendeu o voto a Roseana Sarney em 2006 em obediência à bênção de Lula à candidata do PFL, partido de oposição nacional ao projeto de poder petista. Seu brado contra o neoliberalismo representado pela candidatura do PSDB no mínimo deixa a desejar quanto à coerência histórica.
Pelo menos em São Luís, a reedição da Frente de Libertação não foi possível. No futuro será um projeto ainda menos acessível. E, pelo andar da carruagem, nas próximas eleições, de 2010, os ex-aliados estarão em pólos opostos. Reeditam, portanto, a velha máxima do sarneysmo segundo a qual as oposições no Maranhão não são capazes de se reunir em prol do estado.
A menos de 80 dias da eleição, os candidatos já se engalfinham em busca do voto do eleitor. Os discursos em nada lembram a unidade apregoada no passado recente. As diferenças emergem não somente em São Luís, mas em outros colégios eleitorais como Imperatriz, Barreirinhas, Santa Inês, Bacabal. Em viagem ao exterior desde o início do mês, o governador do estado age como magistrado ausente diante da contenda entre pilares de sua base de apoio.
