São Luís - Maranhão,Nove alunos do primeiro curso de Estratégia Militar voltada para Gestão de Negócios, pós-graduação da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), acompanhados por coordenadores do programa, assessores da instituição e órgãos de imprensa, entre eles a reportagem do Terra, estiveram no Estado do Amazonas entre os últimos dias 20 e 25 para conhecer instalações militares e as potencialidades econômicas da região.
Segundo os militares da reserva general Antonio Burgos e coronel Edson Rodrigues, que coordenam a iniciativa, a decisão de viajar ao Estado, maior extensão da chamada Amazônia legal brasileira, visou sua importância estratégica, tanto militar quanto econômica.
Em Manaus, foram visitadas as sedes do Sistema de Vigilância da Amazônia, do Comando Militar da Amazônia, o Centro de Instrução de Guerra na Selva, entre outros. O grupo teve direito até a uma volta em helicópteros do Exército, divididos em duas aeronaves, um Cougar e um Black Hawk. No interior do Estado, a comitiva passou pela 2° Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira e no 5° Pelotão Especial de Fronteira, em Maturacá, onde também visitou a aldeia ianomami local. Em todas as visitas, os comandantes realizaram palestras e também conduziram pessoalmente a visita às instalações.
Todos os deslocamentos foram feitos em aviões da Força Aérea Brasileira. Para viabilizar a viagem, a FAAP custeou o querosene de aviação. O Terra patrocinou a iniciativa com dois notebooks, que foram doados à 2° Brigada de Infantaria de Selva, mochilas e bonés para os participantes.
O perfil dos alunos é diversificado. Em sua maioria, empresários de setores como comércio e serviços, mas há também um advogado. Única mulher entre os estudantes, Adriana Fetter, executiva de uma incorporadora que atua na Angola, afirmou que retorna a São Paulo com outra mentalidade. "Vimos as dificuldades daqueles militares para fazer o seu trabalho e mesmo assim eles seguem motivados. Devemos ter esta atitude", diz.
O curso
De acordo com o general Burgos, a iniciativa vem na onda do mercado da auto-ajuda que associa estratégia militar à atuação profissional, com títulos como Sun Tzu e a arte dos Negócios. "Os militares foram os primeiros estrategistas, então estamos ensinando os conceitos de estratégia militar para dar condições a que se aplique isso da melhor maneira possível no seu negócio", diz.
Uma das bases do cronograma é a chamada prospecção, ou construção de cenários, para visualizar o futuro da presença da empresa no mercado. "Como é que minha empresa estará em 2025? Isso é importante para quem não quer estar o tempo todo apagando incêndios, quem apaga incêndios é porque esta fora do mercado", define Burgos.
Outro importante ponto do curso é o desenvolvimento da liderança, segundo o coronel Rodrigues. "A capacidade de motivar os subordinados com sua postura e a hierarquia é uma característica que é comum tanto às grandes empresas quanto ao meio militar. O líder é aquele que dá o exemplo, e isso é algo que aprendemos cedo no quartel", diz Rodrigues.
Nas aulas, os professores fazem analogias dos elementos militares com os empresariais. "O mercado é como um campo de batalha, seu inimigo é seu concorrente. A estratégia vai te dar as condições de vencê-lo e tomar seu território", diz Burgos.
