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Criança acima do peso só muda hábitos se a família mudar junto

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Por: G1
Data de Publicação: 5 de setembro de 2008

 Natália tem 10 anos de idade e pesa quase 50 quilos. Se considera “gordinha”, fica triste quando os colegas de escola implicam com seu peso, mas não consegue parar de comer doces. “Ela parece viciada. Até come outras coisas, mas precisa de doce todo dia”, conta a mãe, Nilza Dias. O que fazer? A médica Luciene Fagundes ensina: é preciso mudar -- mas não só Natália. A família toda tem que participar.

“A família é parte integral da vida da criança. Não adianta exigir que ela mude e todo mundo continuar fazendo as mesmas coisas. Não vai dar certo”, disse a médica, do Ambulatório de Especialidades Jardim dos Prados, em São Paulo, ao G1. Especialista no assunto, ela oferece orientação a pais que precisam lidar com o problema.

Segundo ela, um erro comum das famílias que têm uma criança com excesso de peso é culpar o filho. “A criança não é gorda por que quer. Ela é fruto de um ambiente que gerou isso. Na maioria dos casos, nem percebe que existe alguma coisa errada”, diz a médica.

Riscos para saúde

Se no passado, criança gordinha era sinônimo de saúde e beliscões na bochecha das tias, hoje estar acima do peso é garantia de visita ao pediatra. A obesidade infantil causa sérios problemas de saúde que podem acompanhar a pessoa até a vida adulta. Segundo dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), 80% das crianças obesas viram adultos obesos.

E quanto mais quilos hoje, menos anos de vida amanhã. A obesidade aumenta o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto. Jovens acima do peso que entram na vida adulta assim têm mais chances de ter um infarto precoce. E isso tudo sem contar os problemas respiratórios, ortopédicos e dermatológicos. Diversos estudos também ligaram o excesso de peso a um aumento na possibilidade de desenvolver tumores de mama, útero e intestino.

Antes disso, no entanto, as crianças obesas vão enfrentar uma adolescência difícil. E não estamos falando só da implicância dos colegas que vitima jovens como a Natália. Um dos problemas mais comuns é que o peso excessivo antecipa a chegada da puberdade. É por isso que crianças gordinhas são geralmente mais altas que os colegas. “É uma altura falsa. Não quer dizer que ela vá ser um adulto alto, ela só começou a crescer antes da hora”, explica Fagundes.

Diagnóstico e tratamento

Diagnosticar obesidade em crianças é difícil e só é possível com a ajuda do pediatra. Isso porque a altura de quem está em crescimento, obviamente, varia muito – o que complica calcular o índice de massa corporal. O que em adultos é considerado “abaixo do peso”, por exemplo, já é chamado de obesidade a partir dos seis anos.

Para tratar, é preciso uma equipe com diversos profissionais: de médicos e nutricionistas a psicólogos. Uma criança que é discriminada na escola por ser gordinha tem duas vezes mais dificuldade para lutar contra isso. A perda de peso deve vir com um trabalho conjunto. O exercício físico, pelo menos inicialmente, não pode envolver competição – porque dificilmente o desempenho dela será melhor que o de uma criança em forma, e isso só vai atrapalhar o processo.

Em alguns casos, pode ser preciso utilizar medicamentos para ajudar a perder peso. “O ideal, no entanto, é tratar com alimentação balanceada e exercícios físicos”, diz Fagundes.

A pequena Júllia, de 7 anos, é um bom exemplo de sucesso. Filha de pai obeso, seu peso está sempre na mira do olhar atento da mãe, Leila Katsuaya, de 39 anos. Mas ela não se deixa abater. “Júllia faz judô, futebol de salão e ginástica olímpica. Isso porque parou com a natação e o balé”, conta a mãe. A pequena pode até, como afirma a mãe, ter “tendência para engordar”, mas com esse cardápio esportivo tem todas as chances de manter a saúde.


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