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Melhoria da Educação virá com o tempo

Fernando Haddad, 46, é graduado em Direito, com mestrado em Economia e Doutorado em Filosofia. Atualmente é professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo. Seu primeiro cargo público foi na prefeitura municipal de SãoPaulo, quando foi chefe de gabinete do secretário João Sayad,  ex-ministro do Planejamento.


Em 2003 passou a compor a equipedo hoje ministro Guido Mantega, como assessor especial  do Ministério do Planejamento. Também foi secretário-executivo do Ministério da Educação na  gestão do ministro Tarso Genro.  Ocupa o cargo de ministro da  Educação do governo Lula há quatro anos. 


Para ele,  alunos do Prouni melhoram os desempenhos das universidades que frequentam. complementação de recursos federais. Agora, no governo Lula, recebe mais de R$ 1 bi, sem contar as demais ações, como transporte e merenda escolar, livro didático etc. Veja abaixo a entrevista do ministro da Educação:


P: O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo critica o elevado índice de analfabetismo do Brasil. Após tantos programas, a que o senhor atribui esse atraso?
R: O Brasil tem uma taxa de analfabetismo de 9,9%. O objetivo do governo é cumprir as metas de Dakar. O País assinou um compromisso em 2000 que em 15 anos reduziria em 50% a taxa de analfabetismo de jovens e adultos. Nossa taxa era de 13,4% e nossa meta é chegar 6,7% até 2015. Mantido o ritmo atual vamos superar com folga essa meta e podemos chegar em 2015 com uma taxa em torno de 5% e talvez até menos. Vamos cumprir essa meta principalmente graças a programas como o Brasil Alfabetizado, que teve início em 2003. É bom frisar as dificuldades desse programa num país como o Brasil, onde a população está majoritariamente localizada no campo, tem uma idade média de 55 anos. É difícil alfabetizar essas pessoas diante de tantos obstáculos, como transporte, alimentação e do exame oftalmológico, já que essas pessoas dependem de óculos para ler.


P: Alguns estados do Norte e Nordeste apresentadoram péssimo desempenho no Ensino Médio. Isso aponta o nível de atendimento escolar a jovens de 15 a 17 anos por parte do governo...
R:
Poderia citar muitas ações do governo federal na área da educação, mas citarei apenas o Fundeb. É dinheiro novo, que é distribuído para os estados e para todos os municípios, de acordo com o número de matrículas dos alunos, considerando a creche, pré-escola, Ensino Fundamental e Médio. Não é pouco recurso.


P: O modelo do Enem será único para todo o País ou específico para cada região?
R:
O Enem é o Exame Nacional do Ensino Médio. As universidades têm direito de fazer provas específicas a partir do Enem, principalmente para os cursos de grande demanda. Quando o Enem for adotado como modelo único, alunos de todo o País poderão concorrer a vagas em qualquer universidade do território nacional. A distribuição de vagas se dá nacionalmente sem a necessidade de uma segunda fase.


P: Em função das disparidades de ensino existentes entre as regiões, o senhor acha que um candidato do Pará concorre em igualdade de condições com um candidato de São Paulo?
R:
A experiência que nós temos é do Prouni, onde foi verificada uma grande mobilidade estudantil das regiões Norte e Nordeste em relação ao Sul e Sudeste. Acho até que a mobilidade não é tão grande como gostaríamos. Ela deveria ser plena, mas isso não ocorre porque as pessoas têm raízes familiares e educacionais. É o candidato que escolhe para onde quer ir, de acordo com seu boletim do exame. Aliás, uma pesquisa recente mostrou que o aluno egresso do Prouni tem um desempenho igual ou superior a dos alunos pagantes. Isso frustrou a expectativas de muitos que achavam que o acesso de pessoas de baixa renda na universidade comprometeria a sua qualidade. Ao contrário: os alunos do Prouni melhoram o desempenho das universidades que frequentam.


P: O MEC tem condições de investir além do que hoje é aplicado na educação no país?
R: O Brasil vem, durante o governo Lula, batendo recordes de investimento público em educação. Saímos de um patamar de 3,9% e já estamos em 4,6% do Produto Interno Bruto investidos na área. Pode parecer pouco, mas 0,7% do PIB representam investimentos na ordem de R$ 20 bilhões. 


P: Se tantos recursos estão vindo, porque essa situação no Ensino Médio?
R:
Esses indicadores são de 2007 e o Fundeb estará pleno em 2009. Começou em 2007 com um terço da sua potência, já que existia uma transição. Vamos verificar uma melhoria na qualidade da Educação Básica no Pará com o tempo. São décadas de descaso com a educação que não serão superados em dois ou três anos. Os indicadores passarão a reagir e o piso nacional do magistério, que atinge 37% da categoria no país, é uma conquista importante para atrair jovens talentos para a carreira de professor.


P: De que forma o MEC pretende colaborar com a qualidade da melhoria do ensino nas faculdades de Jornalismo de todo o país? O STF considerou inconstitucional a exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão...
R: Não vejo como alguns veem o problema. Na maioria dos países não existe a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista e nem por isso deixam de existir os cursos de jornalismo nesses países. As pessoas confundem obrigatoriedade do diploma com obrigatoriedade de formação. Para exercer a profissão de jornalista as pessoas vão continuar precisando de formação. Mesmo onde não há obrigatoriedade do diploma os cursos continuam a existir. O que temos agora é, a partir da decisão do Supremo, requalificar nossos cursos. Já prevendo essa decisão, constituí uma comissão que há meses discute novas diretrizes para o curso de jornalismo. Elas serão entregues até o final deste mês e remetidas ao Conselho Nacional de Educação. Tudo que os meios de comunicação querem é a colaboração de um profissional bem formado. 


 


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